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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sobre como conservar (a si e ao que importa)


O problema é que todo mundo corre demais.

Meu habitat natural é a quietude. Fico aflito diante de tanta pressa, rapidez, ansiedade e disse-me-disse. O mundo todo me vem com uma mala lotada de coisas a fazer num prazo impossível pra deixar pronto. Não to pronto nem pra começar!

Seria tudo tão mais simples se feito aos poucos. Assistindo as coisas pequenininhas achando seu encaixe no espaço-tempo, posso levar a vida de um jeito mais calmo. E como é difícil não ver tudo de um jeito exageradamente amplo; todo dia me fuzilam virtualmente com beleza escassa de verdade, palavra vazia de verdade, imagem distante da verdade. Tudo por causa do desejo de ter tudo logo – sem saber que toda boa árvore dá seu fruto no tempo certo.

Pois faço um esforço doloroso pra que meus ouvidos e olhos sejam limitados aos dos demais. Sim, não me importo de estar atrasado, contanto que eu me agrade do meu tempo. Não que eu controle a minha vida – é exatamente por isso que não pretendo assisti-la passando, sendo efêmera, sendo propagandeada no frasear insensato e programado do cotidiano. Este cotidiano eu quero bem moderado, bem devagar, bem... alicerçado. Tipo medir no vento o passo de agora; tipo ter controle sobre o acaso.

Firmeza. Entendo: a quietude traz firmeza, que traz certeza, que sorri sem culpa! Não se trata da ilustração de sentimentos ou coisa do tipo, porém, decerto, o colorir do dia nublado (embora o nublado seja lindo e, onde vivo, bem vindo) dos tantos afazeres. É a não-confirmação da felicidade expressa na própria felicidade. Coisa que pouca gente tem que saber.

O problema é não sorrir com o barulho da chuva.


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