Sonho, e, escrevo.
Escrevo porque sonho e porque não criei dívida que contenha cláusula impeditiva
de fazê-lo. E faço sonho com a força de um beija-flor, uma força muito forte
nas asas. Se as asas param, a morte não demora mais que dez segundos pra tirar
a força, os sonhos e todo o resto. Sonho tem que ter asa.
Invento o que já
existe porque nas asas aqui só tem emoção. A inteligência é fraca pra
desrepetir o que a emoção quer que eu repita, por mais que tente. Então a razão
flutua feito pena solta, sem rumo, vem e vai, chega e sai. Mas a emoção é
caseira, preguiçosa, tão inválida como a razão em dias de vento forte. Ora, se
o vento é forte, bato as emoções e pego carona até o girassol mais alto! O
vento leva tudo, ainda mais se forte for, mas o sonho não leva, porque a asa
tem força pra vibrar.
A emoção é o clichê
indissolúvel, indesejável e inseparável. Ao encontrar a razão, passa a analisar
certidão de nascimento, carteira de biblioteca, canhoto de cinema e tanto mais
que houver nas gavetas, a fim de encontrar a melhor forma de alcançar o sonho.
E, enquanto anfitriã e visitante freqüente discutem, o sonho vai batendo as
emoções/asas no vento que veio do sul. Em meio às divergências, as duas correm
atrás do vento pra ver o que resgatam do sonho, que só quer saber de existir,
embora não saiba como. Esta incumbência pertence às suas tolas pariceiras.
O sonho só existe
em par com a liberdade, assim como asas não fazem voar sem um pouco de vento. E
precisa pouco! Dez segundos sem bater as asas resulta em morte, dez minutos sonhando
se chega longe. Pegando carona ou não. A pé, de carro ou voando, escrevo.
Porque não há cláusula impeditiva.

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