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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Oportunidade e liberdade e flor


Sonho, e, escrevo. Escrevo porque sonho e porque não criei dívida que contenha cláusula impeditiva de fazê-lo. E faço sonho com a força de um beija-flor, uma força muito forte nas asas. Se as asas param, a morte não demora mais que dez segundos pra tirar a força, os sonhos e todo o resto. Sonho tem que ter asa.

Invento o que já existe porque nas asas aqui só tem emoção. A inteligência é fraca pra desrepetir o que a emoção quer que eu repita, por mais que tente. Então a razão flutua feito pena solta, sem rumo, vem e vai, chega e sai. Mas a emoção é caseira, preguiçosa, tão inválida como a razão em dias de vento forte. Ora, se o vento é forte, bato as emoções e pego carona até o girassol mais alto! O vento leva tudo, ainda mais se forte for, mas o sonho não leva, porque a asa tem força pra vibrar.

A emoção é o clichê indissolúvel, indesejável e inseparável. Ao encontrar a razão, passa a analisar certidão de nascimento, carteira de biblioteca, canhoto de cinema e tanto mais que houver nas gavetas, a fim de encontrar a melhor forma de alcançar o sonho. E, enquanto anfitriã e visitante freqüente discutem, o sonho vai batendo as emoções/asas no vento que veio do sul. Em meio às divergências, as duas correm atrás do vento pra ver o que resgatam do sonho, que só quer saber de existir, embora não saiba como. Esta incumbência pertence às suas tolas pariceiras.

O sonho só existe em par com a liberdade, assim como asas não fazem voar sem um pouco de vento. E precisa pouco! Dez segundos sem bater as asas resulta em morte, dez minutos sonhando se chega longe. Pegando carona ou não. A pé, de carro ou voando, escrevo. Porque não há cláusula impeditiva.

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