É risível quando me dizem: “você
é tão bem resolvido”. É claro que não sou bem resolvido! Afirmar isso é tão
inverdade quanto a própria mentira é verdade. E digo mais: ninguém é bem
resolvido. Esta ideia é apenas uma jogada de marketing para aumentar o ego das
pessoas que estão, em certa medida, deprimidas. Só é bem resolvido quem já
morreu.
Eles, sim, estão completamente
resolvidos, pelo menos com esta vida. Na qual preciso estudar para garantir o
futuro, perdendo madrugadas de sono. Na qual preciso trabalhar para conseguir
sustento à minha vida e à vida dos que dependem de mim. Em que preciso
encontrar alguém que queira depender de mim. Definitivamente, não sou/estou bem
resolvido.
“Depender? Quem vai querer
depender de outro? Todos são individualistas e autosuficientes!”. Ah, triste
verdade! Porém, ironicamente, em todos os momentos da vida dependemos de
alguém. Na infância, mãe e pai são os provedores de tudo. Na adolescência,
transpira-se o sentimento de independência, mesmo ainda dependendo dos pais, e
começa-se a viver a falsa liberdade característica dos adultos. E, por fim, na
velhice percebe-se a inutilidade de uma vida vivida sozinho.
“Liberdade é ter um amor para se
prender”, escreveu Carpinejar. Olhando aqui e ali, vejo o quanto é ruim ser
chamado de “bem resolvido”. Todo o cansaço dos afazeres diários pode ser
derribado por um sorriso que faz uma possível lágrima subir o rosto e retornar
para o seu lugar. Não é a hora de ela cair. É hora de amar o brilhante olhar
que mira um ser totalmente confuso sobre o que fazer da vida, mas, que ao
receber este olhar, entendeu o que é ser bem resolvido. Que o valor de todas
estas estafantes tarefas para construir uma vida só pode ser compreendido
quando serve para construir duas vidas como uma só. Duas vidas que cansam
juntas, que correm juntas, que sorriem juntas... que se resolvem juntas.
Espero a resolução, pois em mim
não está.

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