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domingo, 11 de novembro de 2012

Irresoluto


É risível quando me dizem: “você é tão bem resolvido”. É claro que não sou bem resolvido! Afirmar isso é tão inverdade quanto a própria mentira é verdade. E digo mais: ninguém é bem resolvido. Esta ideia é apenas uma jogada de marketing para aumentar o ego das pessoas que estão, em certa medida, deprimidas. Só é bem resolvido quem já morreu.

Eles, sim, estão completamente resolvidos, pelo menos com esta vida. Na qual preciso estudar para garantir o futuro, perdendo madrugadas de sono. Na qual preciso trabalhar para conseguir sustento à minha vida e à vida dos que dependem de mim. Em que preciso encontrar alguém que queira depender de mim. Definitivamente, não sou/estou bem resolvido.

“Depender? Quem vai querer depender de outro? Todos são individualistas e autosuficientes!”. Ah, triste verdade! Porém, ironicamente, em todos os momentos da vida dependemos de alguém. Na infância, mãe e pai são os provedores de tudo. Na adolescência, transpira-se o sentimento de independência, mesmo ainda dependendo dos pais, e começa-se a viver a falsa liberdade característica dos adultos. E, por fim, na velhice percebe-se a inutilidade de uma vida vivida sozinho.

“Liberdade é ter um amor para se prender”, escreveu Carpinejar. Olhando aqui e ali, vejo o quanto é ruim ser chamado de “bem resolvido”. Todo o cansaço dos afazeres diários pode ser derribado por um sorriso que faz uma possível lágrima subir o rosto e retornar para o seu lugar. Não é a hora de ela cair. É hora de amar o brilhante olhar que mira um ser totalmente confuso sobre o que fazer da vida, mas, que ao receber este olhar, entendeu o que é ser bem resolvido. Que o valor de todas estas estafantes tarefas para construir uma vida só pode ser compreendido quando serve para construir duas vidas como uma só. Duas vidas que cansam juntas, que correm juntas, que sorriem juntas... que se resolvem juntas.

Espero a resolução, pois em mim não está.

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