Hoje é tempo de se decidir.
Porque, depois de tudo o que se sucedeu em tempos esparsos, eu mereço um final
decente, ora. Ficou cansativa essa história de tanta conversa sem futuro.
Procuro fazer planos; que filme veremos hoje, que comida vou querer daquele
restaurante que fomos da última vez, a que horas vamos nos encontrar. É o que
eu quero planejar.
Eu cismei de pôr meu eu acima da
razão que o momento me mostrava. Às vezes isso é bom, mas o problema é que o
meu eu é muito impulsivo e teimoso. O querer do agora vence o “pensar duas
vezes”, vence os conselhos de quem viveu aquilo de perto, vence a racionalidade.
Tem que ser o que eu quero, porque eu acho que é o certo. PORÉM (sim, em caixa
bem alta), como dizem por aí, danou-se. Escolhi a pior e mais cascuda decisão,
que não dizia respeito apenas a mim. Fiz lágrimas escorrerem num rosto onde
nunca deveriam ter escorrido. Tudo por uma zanga, insistência em um surreal
desejo antigo. Ah, esses desejos antigos! Minha vontade é ilhar todos eles,
amordaçar, para nunca mais incomodar. Eles me fizeram descuidar do amor amuleto
onde eu confiava minha futura bonança, quase o deixei cair.
No entanto, hoje eu devo é rir!
Não deixei cair, peguei no ar, pendurei no pescoço para nunca mais correr o
risco dele escorregar. Desde então, não é nas mãos que o carrego, é de frente
ao coração. E agora eu entendi: sem ti, sou pá furada por demais. Sou que nem
abraço sem o cheiro no pescoço, fica a sensação de que faltou alguma coisa. E
olha, não me deixa sozinho, que o vento da noite me arrepia e me dá um frio que
só você põe pra longe. Eu sei que eu me perdi nas minhas divagações, nas confusões
que não resolvi... mas é em você que eu me encontro.
Que trapalhada, não? Por mero
capricho meu, achando que deixando você por aí e me aventurando por acolá seria
o melhor. Criei uma desordem que não precisava! Acabei adentrando num buraco
profundo. Então fui cavando mais, até que vi luz e descobri a saída da
desventura: era você, pondo luz no caminho pr’eu ver a alegria de compor ao teu
lado.
*Inspirado na canção “Paquetá”,
do Los Hermanos. Contém algo pequeno de “Revelação”, de Raimundo Fagner. Este
texto é completamente ficcional (hahaha).

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