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domingo, 4 de abril de 2010

Aquele em que ele muito a desejava

Sorrateiramente, ele foi chegando perto. Buscava um olhar, mas principalmente, um sorriso dela. Mas nada, nem um sinal. O receio que ele sentia em se aproximar dela não era maior que a vontade de conhecê-la, porém ele era tímido. Pairava sobre ele um acanhamento que o impedia de decifrar aquele olhar misterioso e encantador que ele não conseguia desviar sua atenção.
Todo o tempo, seu maior desejo era ela. Não parava de imaginar todos os segredos que ela estava escondendo em sua expressão meiga e nada convidativa a uma conversa. Seu modo de falar transmitia a ideia de uma pessoa calma e reservada. Seus gestos eram tenros, mimosos, delicados. Seu sorriso era algo único, nada se comparava a ele. O sorriso. Era o que ele ansiava quase que desesperadamente, até mesmo inconscientemente. Dormia pensando no abraço dela, e, principalmente, no seu beijo. Imaginava que, quando a beijasse, todo o esplendor do nascer do sol seria nada perto da fulgência do seu beijo, que não existia igual em toda a face da terra.
Só que ele demorou demais para tomar uma atitude que chamasse a atenção dela e a fizesse querer conversar com ele. Um troglodita, um homem extremamente comum em todos os sentidos, se aproximou dela. Tinha lábia, é bem verdade. A arma dos sem-romantismo. O homem sem romantismo é um homem simples e comum. Um homem romântico torna-se uma exceção, um brilho dentro de um lugar escuro e sem graça. Faz o amor acontecer da forma mais correta: naturalmente.
Pois bem, o devasso homem de quem falava anteriormente apossou-se da meiguice da senhorita com sua artimanha, e fez surgir nela um sentimento avassalador, mas que não era amor. Iria se acabar. Só restava ao pobre rapaz saber quando.

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